Professora da ECT recebe prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC para mulheres na Ciência

Em agosto, fomos informados sobre a ótima notícia de que a professora Elisama Santos, da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN, tinha sido premiada com o prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC for Women in Science. O prêmio é uma inciativa da união da  empresa L’Oreal e a Associação Brasileira de Ciência, junto com a Unesco.

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Professora Elisama, ganhadora do Prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC para Mulheres na Ciência.

O programa L’Oréal-UNESCO For Women in Science existe desde 1998 e veio com intuito de incentivar e valorizar a pesquisa científica feita por mulheres em uma realidade na qual os homens são maioria. O programa apresenta três categorias de premiação: premiação internacional, nacional e o Rising Talents.

Esse ano, nossa professora de química, Elisama Santos, foi contemplada com o Prêmio Nacional, junto com mais seis mulheres de diferentes regiões do país. Esse ganho não só contempla o trabalho realizado pelas cientistas, como também engrandece a mulher na ciência e estimula a pesquisa feminina feita dentro e fora das esferas acadêmicas.

Diante de tanto significado e importância, entrevistamos a professora Elisama e procuramos saber um pouco mais sobre o projeto ganhador, além de seus futuros planos como cientista e professora.

ComC&T – Professora, a senhora poderia me explicar um pouco sobre o projeto ganhador do Prêmio L’Oréal-UNESCO For Women in Science?

Elisama Santos – A contaminação de solos e lençóis freáticos por compostos orgânicos não biodegradáveis e metais pesados tem sido assunto de grande atenção no mundo acadêmico e industrial. Diante da crescente preocupação associada a contaminação de solos, esse projeto busca a aplicação da tecnologia eletroquímica, por meio da remediação eletrocinética como uma alternativa para a remoção de pesticida em solo, como também de metais pesados, um caso recente foi o rompimento da barragem de Mariana, estado de Minas Gerais. A remediação eletrocinética de solos tem recebido atenção devido suas vantagens de aplicação: ela pode ser desenvolvida in situ, evitando os custos associados aos estágios de escavação e o transporte, podendo ser aplicados em solos de baixa permeabilidade contaminados com metais pesados e espécies orgânicas. Esse projeto contou com a colaboração da Universidad de Castilla-La Mancha e Universidade de São Paulo, sendo parte dele desenvolvida aqui na UFRN e Universidad de Castilla-La Mancha.

 

ComC&T –  E como ocorre esse processo de descontaminação?

Elisama – Esta técnica baseia-se na aplicação de uma corrente direta, na ordem de mA/cm², ou de um potencial pelo solo entre conjunto de eletrodos. Os contaminantes são mobilizados na forma de espécies carregadas ou partículas, a corrente aplicada mobiliza espécies carregadas eletricamente, partículas e íons no solo. Durante a Remediação Eletrocinética diferentes processos ocorrem no solo quando um conjunto de eletrodos é posicionado gerando uma diferença de potencial: eletro-osmoses, eletromigração, eletroforese, eletrólise e aquecimento elétrico. A vantagem desse procedimento é que pode ser empregado à solos de baixa permeabilidade, além disso vem com uma proposta de poder aplicar “in situ”. Não é necessário escavar, ou seja, extrai o solo para que a tecnologia seja empregada. Então ele vem com esse intuito de vislumbrar uma aplicação real.

 

ComC&T – E esse processo é viável financeiramente?

Elisama – A tecnologia eletroquímica dependente da energia elétrica e a proposta que estamos buscando é utilizar energia renovável em substituição a convencional, como fonte de alimentação elétrica. O estado do Rio Grande do Norte vem se destacando no cenário nacional em relação à produção de fonte de energia renováveis, tais como a energia Eólica e energia Solar. A integração com energia renováveis favorecerá os gastos associados aos gastos energéticos, possibilitando a aplicação em maior escala  em menor custo.

 

ComC&T – E como foi para você ganhar o Prêmio L’Oréal-UNESCO For Women in Science, pela realização de um projeto tão importante para o ambiente?

Elisama – Estou muito honrada de ter ganhado esse prêmio. Ele me impulsiona a continuar trabalhando na ciência, atuar como pesquisadora e professora. Essa premiação vem em um momento importante na minha vida profissional, fui recentemente empossada como Professora da UFRN, ter esse apoio financeiro de 50 mil reais como bolsa-auxílio para dar prosseguimento na pesquisa, é de grande importância, diante da atual crise financeira que vivenciamos, possibilitará que continuemos trabalhando na pesquisa. Ao mesmo tempo quero despertar que os alunos sintam-se entusiasmados em atuar na pesquisa, visando que novas mulheres venham a obter esta premiação pelos trabalhos desenvolvidos na UFRN.

 

ComC&T – E quais são os procedimentos precisos para concorrer ao Prêmio?

Elisama – A premiação é uma ação conjunta entre a empresa L’oreal, Acadêmia Brasileira de Ciência e UNESCO que já está no seu décimo primeiro ano e contempla pesquisadoras que tenham finalizado o doutorado nos últimos 5 anos. Então, ao abrir o Edital, é submetido o Projeto no qual você tenha desenvolvido a sua linha de pesquisa. A comissão é composta por membro da Academia Brasileira de Ciência, UNESCO e L’oreal, os projetos são classificados por área, o projeto laureado em Química este ano veio da UFRN, sendo a primeira pesquisadora da Universidade a ganhar o prêmio, no total somos sete laureadas no ano de 2016. A premiação será entregue no dia 20 de outubro, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

 

ComC&T – Esse projeto é uma continuação do seu Doutorado?

Elisama – Esse projeto está em fase inicial, foi iniciado ainda no meu doutorado. O seguimento do projeto será desenvolvido pelos alunos da UFRN.

 

ComC&T –  E como funciona essa parceria da UFRN com a Universidad de Castilla-La Mancha?

Elisama – Parte do meu doutorado foi feito na Universidad de Castilla-La Mancha. Lá, pude aprender mais sobre a tecnologia eletroquímica aplicada a mediação de solos. O grupo vem trabalhando com essa tecnologia em maior escala, essa colaboração permitiu que alunos da UFRN, possam vivencia a experiência de ir lá trabalhar na pesquisa. O projeto inicial foi desenvolvido no Instituto de Química da UFRN e o departamento de Engenharia Química, no laboratório de Engenharia Eletroquímica sob coordenação do Professor Manuel Andrés Rodrigo.

 

ComC&T – Voltando par ao prêmio, como você acha que esse prêmio vai influenciar, além do estimulo a pesquisa, na afirmação da mulher na ciência?

Elisama – Acredito que esse prêmio vem para consolidar a participação da mulher na ciência, então no decorrer desses 11 anos de investimento nesta premiação, busca-se incentivar cada dia mais, nós mulheres, a atuarmos na ciência, e isso em todas as áreas da Ciência. Eu acredito que eu ter ganho o prêmio, é um incentivo para outras pesquisadoras, da região Nordeste atue nas diversas áreas da ciência.

 

ComC&T – E você por ser cientista mulher já se sentiu algumas vez inferiorizada por ser mulher nesse “mundo da ciência”?

Elisama – Não. O que eu vejo é o seguinte: ainda somos uma parcela menor, relacionado a quantidade de homens na ciência. Estamos crescendo cada dia mais. Eu particularmente, nunca me senti inferiorizada por atuar na ciência. Nunca tive essa sensação e acredito que seja extremamente desgastante para quem passou por uma situação como essa. E ao mesmo tempo essa premiação vem para mostrar que somos capazes de atuar, fazer ciência e fazer bons trabalhos.

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